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Mostrando postagens de 2010

Porque a educação no Brasil está piorando

Depois de muito usando o Twitter e outras ferramentas, resolvi voltar a este blog para uma nova postagem, gostaria aqui de colocar alguns questionamentos que me tenho feito recentemente acerca da bancarrota que parece já ter chegado na escola pública. Para tanto é preciso retrocedermos um pouco no tempo. Era 1990 e eu entrava na escola de ensino municipal José Pereira Lucio, eu tinha 8 ano, por problemas pessoais, idas e vindas de Maceió e Arapiraca,  entrei na escola um pouco atrasado mesmo, tinha uma expectativa enorme para aprender a ler, porque queria muito ler todas as legendas que eu via na televisão, desde aquelas letras amarelas que anunciam a parte e o nome do filme na globo até qualquer frase de comercial ou um momento que fosse que surgisse uma palavra na TV e eu não sabia o que era. Lembro como se fosse hoje da novela do Gilberto Braga Vale tudo em que em uma cena a personagem da Gloria Pires deixava um recado escrito para o personagem do seu namorado, Carlos Alberto Richi

Supremacia do poder econômico e do mercado, texto muito bem escrito pela Estela , leiam que vale a pena

Em primeiro lugar sabe-se que hoje em dia muitos países proclamam-se Democracias. A maior parte pode ser definida como Democracias Representativas, nas quais os cidadãos são chamados a atos eleitorais regulares onde escolhem livremente os seus representantes numa assembleia. Esta, por sua vez, tem como um dos seus deveres zelar para que o órgão executivo - o governo - exerça as suas funções de acordo com os interesses dos cidadãos. Como qualquer sistema político, a Democracia Representativa deve ser avaliada pelo que tem sido a sua aplicação na prática. Será que sob este sistema o governo tem sido dos cidadãos, e para os cidadãos? Certamente, as pessoas estão vivendo na sociedade do imediato, do superficial e da ilusão para a maioria, do enriquecimento fácil e da desvalorização da ética e da moral. Em virtude de uma minoria dificilmente identificável deter o poder, muitos elementos da população são dispensados. As pessoas se envolvem em jogos políticos e em apostas eleitorais, sem a c

Porque eu voto em Dilma

Muitas pessoas já me fizeram essa pergunta então eu faço questão de responder publicamente e de forma detalhada e clara para que não restem dúvidas dos meus motivos para votar, não somente em Dilma, mas no PT, na continuidade do governo Lula. Para responder a essa pergunta vou precisa deixar claro as minhas posições políticas e voltar um pouco no tempo para analisar outros governos. Com relação a minha posição política eu deixo mais do que claro que sou de esquerda e socialista convicto, isso não seria um motivo para eu votar em Dilma, na verdade seria um motivo até para não votar, já que o governo do PT nesses últimos anos nada teve de socialista, ao contrário, foi um governo claramente liberal, emprestou dinheiro a banqueiros como também fizeram outros governos, governou sempre ao lado do capital, protegendo o agronegócio, o capital financeiro, privilegiando uma elite reacionária de usineiros e cometendo uma série de absurdos que não fogem de maneira nenhuma aos meus olhos e a minha

Democracia representativa, problemas e desafios

Para o desenvolvimento das sociedades humanas a política foi sempre imprescindível como elemento que norteava os interesses do bem comum. Na busca de um equilíbrio nas relações de poder e de um modelo de governo que fosse justo, o ser humano desenvolveu a democracia e na atualidade a democracia representativa se tornou hegemônica, quase inquestionável. No entanto é preciso questionar se nesse modelo de estado onde a população elege representantes que devem cuidar de seus interesses há efetivamente o cumprimento da vontade geral ou se eleições acabam acentuando as diferenças econômicas e o desnível de classe da sociedade. Ponto chave numa democracia representativa, as eleições ou o voto, se tornam muitas vezes tão ou mais importantes que o governo em si, como não há, na maioria das vezes, um instrumento legal que obrigue os políticos eleitos pelo povo a efetivamente cumprirem com as suas plataformas de governo expostas durante a campanha, o ato de eleger alguém se torna a única possibil

Roberto da Matta no programa de Frente com Gabi no SBT dia 25/07/2010

No último dia 25, domingo, tive a oportunidade de assistir a uma entrevista com aquele que é considerado por muitos e por ele mesmo, o maior antropólogo do Brasil,a saber, o escritor Roberto da Matta, autor de um dos meus livros preferidos "o que faz do Brasil, Brasil". No começo eu tinha uma espectativa que a entrevista tivesse como fóco principal a cultura brasileira, mas para a minha grande triteza e frustração a entrevistadora decidiu (foi necessário no contexto da entrevista) fazer uma pergunta sobre política, nesse momento o príncipe virou ogro, o até então intelectual respeitado e admirado por mim, mostrara uma face, que para mim estava desconhecida, a de um homem arrogante e preconceituoso. Ao se referir ao presidente Lula o antropólogo usou o termo analfabeto, reforçando um antigo e infundado preconceito contra o presidente, em outro momento ele defende o governo FHC e afirma que a popularidade do presidente Lula que conseguiu 94% de aprovação se deve as medidas priv

nivelando por baixo

Como todos devem saber uma das questões que mais me inquietam é a educação, e já algum tempo eu venho me perguntando porque nos nivelamos tão por baixo quando o assunto é educação, as primeiras explicações que me ocorreram foram lógico do marxismo, tão presente e marcante na minha formação acadêmica, dentro dessa linha de pensamento os nossos problemas na educação estariam relacionados a nossa condição de país periférico e nosso papel na globalização, poderíamos entender a nossa péssima educação como falta de vontade política que preferem o povo alienado e para possam se perpetuar no poder e agir das maneiras mais despóticas e corruptas, essa explicação me satizfes durante muito tempo, enquanto eu via a educação no Brasil e focava apenas em alguns problemas, como não despertar no aluno o conhecimento pleno da ciência e uma visão crítica em relação ao real, mas depois de atuar a mais de 5 anos como professor e conhecer de perto a realidade na educação no Brasil e perceber que no restant

Arte e história

Seria muito pretensioso definir o que é arte, julgar se algo é mais ou menos arte, sendo obra humana parece uma postura arrogante mensurar o valor de qualquer que seja uma obra de arte, até porque se entende que a arte compõe o universo da cultura e mais ainda, que está intrinsecamente ligada à subjetividade, parece vir dos recantos mais íntimos e profundos do ser humano. Até por ser produto da cultura e estar inserida de forma definitiva nas sociedades, a arte se tornou sempre uma representação do seu tempo histórico, pois produção artística representa necessariamente um espelho de quem a produz, carregando cada minúcia, ideologia, moral, angústia e esperança que os homens de cada período da história vivenciaram, sejam o homem do neolítico superior, o servo do Egito, o escravo romano ou o homem medieval. A arte sempre pôde nos dar um apanágio do que foi e de como o homem de cada sociedade sentiu e pensou. Apesar de saber que arte não deve ser julgada, pois se trata de uma produção hum

mais uma contra o achismo: supositório de opiniões

"[...] Se o cara não estudou isso, não sabe, ele tem que calar a boca. Eu acho que o direito de ter opinião é proporcional ao interesse sincero que você tem pelo assunto. Se você não tem interesse pelo assunto para você sequer ler alguma coisa, por que que nós devemos ter interesse de ouvir a sua opinião? Você pega a opinião e enfia no *cu*. É muito simples! Deviam inventar o supositório de opinião. Vem aquela cápsula, você abre a cápsula, mete a sua opinião lá dentro. Tá certo? E daí você introduz no orifício ano-retal. É a melhor coisa para você fazer com a sua opinião." (Olavo de Carvalho)

Apenas questionamentos sobre Nietzsche

Nesse sábado no grupo de estudos Sophia pudemos debater sobre o "além-do-homem" no pensamento do Filósofo alemão Nietzsche, depois de muito debate sobre a verdadeira ontologia desse termo empregado pelo filósofo em questão chegamos a alguns questionamentos que gostaria agora de compartilhar com todos aqui. A começar pelo termo “Além-do-homem” o que de fato Nietzsche queria dizer com esse termo, é possível o homem estar além-do-homem? ou seja fora dele mesmo. Esse além-do-homem seria a volta a uma humanidade escamoteada e podada pelos princípios rigorosos do cristianismo e da moral ocidental? Ou seria de fato esse homem, algo extremamente novo na história humana, alguém que totalmente autárquico, espontâneo, livre de toda e qualquer verdade pré-concebida? A partir do discurso de liberdade colocado no Livro assim Falou Zaratustra entendemos que muito provavelmente esse além-do-homem de Nietzsche sofre bastante influência do pensamento de vários seguimentos da filosofia heleníst

reflexões sobre cultura

Nessa sábado dia 10/04/2010 no nosso quinzenal grupo de estudos de filosofia (Sophya) estivemos discutindo o conceito de cultura e também os conceitos de cultura erudita e cultura popular. A conclusão a qual chegamos ao término do debate a incoerência dos termos popular e erudito aplicados a produção cultural, assim como da inexistência de um conceito satisfatório de cultura. Pois quando entendemos cultura como a capacidade humano de “significar” os seus atos, ou como qualquer manifestação humana característico de um povo situado em um espaço e tempo determinados veremos que essa amplidão conceitual nos permite uma série de questionamentos sobre o que de fato é cultura, a própria diferenciação entre cultura de hábitos e costumes se torna extremamente complicada. Com relação à existência de cultura erudita ou popular entendemos que esses conceitos reafirmam uma tese que parecia superada pela antropologia (existência de cultura superior ou inferior). Mesmo que eu estabeleça a técnica ou

O que é Humano não me é estranho

Depois de muito tempo sem postar, em fim me senti motivado a escrever, essa motivação vêm da necessidade de expressar a minha perplexidade diante de alguns acontecimentos que ganharam notoriedade nacional, mas principalmente chocaram a cidade (Arapiraca). Refiro-me claro ao escândalo envolvendo a figura do Monsenhor Luiz Marques Barbosa numa relação sexual com um jovem. Diferente do que as pessoas podem imaginar não é o envolvimento de um padre conservador com um jovem homossexual que me choca e me surpreende, mas a forma como as pessoas estão tratando o episódio. Pois esse fato não revela apenas um falso moralismo por parte do padre, tão conservador nas pregações e tão pervertido entre quatro paredes, antes esse episódio revela uma moral falsa da qual nós mesmos fazemos parte. Quando cremos realmente que alguém passaria a vida inteira sem sexo, quando cobramos a perfeição de seres humanos como nós, igualmente tão falhos, a falsa moral está nos pais de família que enquanto criticam o p

Resistência Aristocrática - RA

Contra a democracia que se transformou na ditadura da maioria, justamente da maioria bestializada e ignorante, defendemos a Resistência Aristocrática, que a nobreza intelectual governe que a razão se imponha a burrice e vontade cretina e egoísta da gleba, contra a comunicação de massa e cultura de massa, contra esse modelo eleitoral, contra o senso comum e a vontade da maioria, a favor de uma nova educação, diferente dessa arcaica e que não funciona, em defesa da moral como principio básico de convivência, em defesa do francês como língua oficial do mundo inteiro, a leitura obrigatória da literatura clássica, em defesa das masmorras para os que não querem aprender e da volta da escravidão para os desordeiros e preguiçosos, se você leu pelo menos mil livros, e defende a volta da aristocracia ao poder se junte a RA (resistência aristocrática) caso você seja um pagodeiro, um forrozeiro, um playboy, um fã do zorra total ou simplesmente um imbecil que pertence a escória humana, ou seja, o f

Mais uma droga: o achismo

Estamos diante de mais uma droga que ameaça os nossos jovens, essa é uma ameaça que parece estar tomando conta de todos e está cada dia mais dificil de combater, é a droga do "achismo". É natural que todos tenhamos uma opinião sobre tudo, é normal que expressemos essa opinião e diga-se se passagem, nós lutamos muito pelo direito de expressar as nossas opiniões, mas o que não é natural é tomar o senso comum como critério de julgamento nem de análise de questões sérias, também é extramamente perigoso que opiniões sem qualquer fundamento sejam amplamente difundidas como se fossem a verdade plena de luz.Sabemos que o senso comum na sua natureza é revestido de preconceito e de conservadorismo, pois ele tende a propagar as idéias dominantes de uma época, o senso sempre existiu e sempre foi combatido pela filosofia, pela ciência e pela vanguarda de cada época, o problema é que hoje temos uma mídia com poder de divulgação de idéias em massa, com grande capacidade de convencer pessoas

Algumas mudanças por vir

Bom meus amigos decidi colocar algumas coisas novas no blog, além dos textos sobre a copa do mundo, relatando grandes partidas, pretendo escrever sobre críticas sobre situações do coquidiano, política, economia, o que eu considerar como gritante, então estejam atentos, porque o importante é nunca aceitar o que está errado, devemos sempre buscar a justiça mesmo que ela pareça utópica.

Pense no Haiti, reze pelo o Haiti, o Haiti é aqui

Quando você for convidado pra subir no adro da Fundação Casa de Jorge Amado Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos Dando porrada na nuca de malandros pretos De ladrões mulatos E outros quase brancos Tratados como pretos Só pra mostrar aos outros quase pretos (E são quase todos pretos) E aos quase brancos pobres como pretos Como é que pretos, pobres e mulatos E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados E não importa se olhos do mundo inteiro possam estar por um momento voltados para o largo Onde os escravos eram castigados E hoje um batuque, um batuque com a pureza de meninos uniformizados De escola secundária em dia de parada E a grandeza épica de um povo em formação Nos atrai, nos deslumbra e estimula Não importa nada Nem o traço do sobrado, nem a lente do Fantástico Nem o disco de Paul Simon Ninguém Ninguém é cidadão Se você for ver a festa do Pelô E se você não for Pense no Haiti Reze pelo Haiti O Haiti é aqui O Haiti não é aqui E na TV se você vir um dep

Há mais drogas na mídia e na música do que supõe a nossa fan filosofia

Evidente que sem querer fazer nenhum tipo de defesa ou apologia das drogas, acredito que cabe uma discussão sobre o que é droga, se considerarmos que as drogas são um objeto alienante em defesa do capital que vem escravizando a juventude a muito tempo, chegaremos a conclusão que a droga não faz mau apenas a saúde, mas também a mente, a droga aliena. É nesse sentido que me recordo de um comentário feito pelo cantor Lobão há alguns anos atrás, Sandy e Júnior são uma droga pesada. Sem dúvida a juventude “Sandy e Júnior” foi uma das mais alienadas do ponto de vista político que esse país já viu, a juventude que admirava uma virgem e um bom moço não deve nada a família com Deus pela propriedade privada dos tempos de chumbo, a juventude MTV está bem mais preocupa com a marca das suas roupas do que as vítimas da fome, ou do que construir um mundo mais justo, essa juventude talvez não consuma nenhuma droga tão alienante quanto as porcarias da MTV. Não tendo absolutamente nenhuma consciência po

a triste morte do rock

O ano de 1954 pode ser considerado um marco inicial do rock, com a fusão entre o jazz e o blues, músicas vindas dos quetos norte americanos, feitas pelos negros. O rock consegue unir a tristeza e o lamento do blues à beleza e a alegria do jazz. Enquanto era privilégio dos negros como Little Richard, Jack Barry e Bill Haley and His Comets, o novo estilo tipicamente jovem ainda não conseguia penetrar nas primeiras paradas de sucesso nem aparecer com muita evidencia na tv americana, devido ao forte racismo dos EUA, quando Elvis Presley, branco, decide fazer música de negros, há a grande explosão do rock em 1955, o novo estilo musical se torna um verdadeira fenômeno no mundo inteiro, adolescentes de todo mundo dançanvam ao som de Elvis que trazia consigo os precursores do rock que até então não tinham espaço na mídia.Mas o que tinha demais esse estilo? porque o rock teve um impacto tão grande entre os jovens? Certamente porque a essencia do rock não é diferente do que é ser jovem, o rock t

O milagre de Berna

No seu 50º aniversário a FIFA não teve dúvidas, a copa seria realizada na sede da instituição, a Suiça, era a 5° edição da copa do mundo, seleções fantásticas participaram como o Uruguai que havia conquistado o bi-campeonato na copa de 50 no Brasil, a seleção brasileira dos craques Didi e Juninho Botelho, a bi campeã Itália, Inglaterra; países loucos, ávidos por futebol acompanhavam a copa do mundo pela primeira vez na televisão.Mas aquela copa trouxe algo novo, a inacreditável seleção da Hungria, o time dos sonhos que parecia ser imbatível,era um daqueles momentos raros e mágicos que o futebol proporciona, a selação parecia jogar por música, tinha Puskás considerado um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, contava com o talento do mago Nándor Hidegkuti. Na primeira fase a Hungria foi arrasadora, parecia que as outras seleções estavam na Suiça apenas para assistir aquele momento espetacular da Hungria, na semi-final um jogo dificil a seleção uruguaia jamais havia perdido

Para 2010

Um feliz 2010 a todos, certamente o grande acontecimento desse é a copa do mundo da África do Sul, por isso decidi que até Junho, mês da copa, vou escrever um texto por mês sobre algum grande feito das copas do mundo, até porque sou um apaixonado por futebol e entendo que esse esporte é um traço marcante da cultura brasileira e está arraigado na forma como jovens formam o seu caráter, como aprendem a sociabilização muito mais que na escola. Prentendo escrever não apenas sobre o futebol nas quatro linhas, mas principalmente sobre as suas implicações políticas fora de campo e claro sobre grandes lições que vimos nas copas do mundo, até a primeira postagem

a história não acabou

A história humana é marcada não pela continuidade, mas pela ruptura, já diria o grande filósofo frankfurtiano Walter Benjamin, para os mais ortodoxos talvez seja bem difícil ver a história não com uma linha reta, mas como oscilante, as alterações na história sofrem uma ação dialética como Marx observou a partir de estudos econômicos e da filosofia hegeliana. Nesse processo de transformação e ruptura que a história sofre temos além das alterações econômicas ou infra-estruturais, transformações de concepções, morais e culturais. Observando o século XVII temos a revolução norte americana, sem dúvida um dos grandes acontecimentos da história humana, a revolução norte americana foi provocada por uma necessidade econômica, as treze colônias inglesas nos EUA se recusavam a continuar sobre a dominação britânica, em conseqüência disso as colônias e a Coroa inglesa entraram em guerra e a vitória dos colonos trouxe uma nova perspectiva para os oprimidos de qualquer lugar e de qualquer época da hi